O lugar de cada irmão

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Desde que comecei a falar sobre irmãos tem vindo muitas perguntas como:

Qual o lugar do filho mais velho? Qual o lugar do irmão do meio?

Como se posicionar.

 

Então vamos lá, vou esclarecer alguns pontos importantes sobre esse tema.

 

A premissa básica da visão sistêmica é estarmos no nosso lugar. Em qualquer tipo de relação.

Nos relacionamentos, no trabalho, no nosso sistema.

 

E como todos nós, incluindo nossos pais, ocupamos lugares de outras pessoas em algum nível, e essa “desorganização” vai se perpetuando.

 

Um exemplo na prática é:

Uma mãe que teve uma mãe um pouco ausente e acaba cobrando da filha, que ocupe esse lugar.

Ou uma mãe que se decepcionou com seu parceiro e acaba exigindo que o filho supra o lugar de parceiro dela, no sentido de não deixar ela sozinha.

 

Vamos pontuar algumas características de cada filho para você entender melhor e conseguir se posicionar cada vez mais no seu lugar.

 

Caso tenha dúvidas sobre irmãos de relacionamentos anteriores, se responda com essas perguntas, que é a pergunta principal da lei da ordem:

Quem veio antes??

Quantos vieram antes??

Quantos vieram depois?

Quem veio antes tem precedência e mais experiência.

 

Irmão mais velho – É o filho que mais desafia os pais, pois os pais estão se tornando pais, e aprendendo essa função com aquele filho.

Normalmente os pais ainda são novos e precisam dar conta do jeito que dá, da sua vida de adulto. Trabalhar mais para sustentar essa criança e tudo mais.

Por isso, muitas vezes, os filhos mais velhos têm a função de ajudar os pais, tendo que adultecer antes do tempo, não puderam aproveitar tanto a infância.

Muitos tiveram que cuidar dos outros irmãos, ou ajudar na casa de alguma forma.

Aquelas novas experiências da mãe, tanto da relação com o pai da criança, quanto das expectativas são transferidas para essa criança, tanto na fase uterina quanto na primeira infância.

Bert diz que pode acontecer de a primeira filha representar algum relacionamento do passado do pai, entrando em uma competição com a sua mãe.

E por consequência disso tudo, o filho mais velho costuma carregar um peso maior.

Uma boa frase: Querida mamãe, foi demais para mim, eu era só uma criança. Agora deixo você com o que é seu e fico apenas no meu lugar de filha.

 

Filho do meio – O filho do meio não é nem o mais velho, nem o mais novo. Ele costuma estar sempre disputando e procurando o seu lugar.

Muitas vezes cuidou do irmão mais novo, tinha responsabilidades, mas ao mesmo tempo não tinha tanta voz, então ele fica um pouco mais perdido.

Talvez em projetos, buscam parcerias, pois não acreditam que dão conta sozinhos.

Eles precisam reconhecer o seu lugar no sistema e que fazem parte do seu lugar. Fortalecer a sua identidade e capacidade.

Uma boa frase: Eu também faço parte. 

 

Caçula – Com o filho caçula os pais já estão mais espertos e relaxados, já passaram por várias situações e aprendizados com a função paterna/materna. Eles têm menos experiências atuais difíceis em relação à vida e ao parceiro.

Consequentemente, os caçulas, recebem mais desse sistema. Mais regalias, mais amor, mais cuidado, ou qualquer outra coisa que faça sentido na dinâmica familiar.

Por receber mais, e querer retribuir o tanto que recebeu, é muito comum o caçula querer salvar o sistema.

Com isso toma a frente de tudo, quer mandar e desmandar.

E se os outros irmãos não estão bem posicionados, o caçula consegue ocupar esse lugar de governante da família com muita facilidade.

Uma boa frase: Eu não devo mais nada a vocês, vou fazer algo de bom com a minha vida e cuidar de mim.

 

Filhos únicos – Dinâmica muito semelhante à do filho caçula.

Normalmente foi um filho muito esperado pelos pais, e eles têm muitas expectativas e projetos para esse filho. É a princesinha ou o rei da casa. Tudo gira em torno dessa criança.

Uma expectativa de que o filho não pode falhar. Dão o máximo, dão o seu melhor por ele, dão tudo o que tem.

E essa expectativa chega como um peso profundo para o filho.

Acontece que filhos que recebem demais não vão para a vida e costumam travar.

Afinal, o filho vai buscar o que os pais não dão, e quando os pais dão demais o filho fica na esfera deles, pois ali já tem tudo.

O medo profundo de decepcionar os pais faz com o filho tenha dificuldade de tomar decisões. Opta pela decisão dos pais para não os decepcionar.

Isso é o que ressoa no coração deles: Medo profundo de decepcionar os pais

Os pais precisam deixar a vida do filho um tanto difícil e desconfortável, a hierarquia bem estruturada, onde os pais que mandam, para que, esse filho, com um sentimento de “não tenho voz aqui” procure o seu lugar, tenha a sua própria casa com as suas próprias regras.

Afinal, se ele lidera e coloca ordem na casa dos pais, vai sair para quê?

Uma boa frase: Eu desisto de ser a boa moça! Eu preciso resgatar a minha identidade e viver para mim. 

 

Essas são dinâmicas comuns entre os filhos, claro que existem várias e várias outras.

 

Me perguntaram também sobre a inclusão de abortos no sistema, vou responder essa questão no nosso newsletter. Se você quiser saber mais sobre isso, se inscreva para receber a newsletter aqui.

 

Mas, e agora, como me posiciono?

 

“Os irmãos brincam entre si”, não ocupam o lugar do pai ou da mãe, não educam e não ensinam os pais a lidar com cada filho. Essa é a premissa básica dos filhos. Saber que os pais dão conta dos seus próprios filhos.

 

Você escuta um pouco mais os irmãos que vieram antes de você (seus irmãos mais velhos) não importam quantos são. E para os menores que você, você pode arriscar sugerir algo, quando solicitado.

Então, quanto menor, menos palpite você dá na vida dos irmãos.

 

Quando você é o mais velho, você pode e deve se posicionar de forma diferente do caçula, tomar a frente de algumas questões, mas sempre, SEMPRE no lugar de filho. Nunca de um lugar de pai ou mãe, por exemplo.

O caçula precisa ocupar o seu lugar de menor do sistema, confiando que, cada um dos seus irmãos e seus pais, dão conta.

 

Recado para o caçula: Na medida do possível e do bom senso (a ideia não é abandonar ninguém, obviamente) não ajude nem se te pedirem. Não tente resolver problemas dos outros, principalmente se ele é capaz de resolver sozinho.

 

Muitos problemas de herança travada, por exemplo, estão relacionados a desordem entre irmãos.

 

Aviso geral: Parem de infantilizar seus pais. Eles já transavam antes de você nascer. Eles sabem muito bem cuidar da vida deles.

 

Quanto mais no nosso lugar estamos, mais fluidez com a vida temos.

Talvez, antes você não sabia que precisava ocupar o seu lugar, mas agora sabe.

Então, continuar nesse lugar é uma escolha.

 

Um bom exercício para iniciar esse processo é:

Qual comportamento prático eu tenho diante da minha família que me coloca fora do lugar?

Comece por ele!!

 

Caso esse movimento seja difícil no seu coração, pois cortar esses vínculos profundos gera culpa, eu te convido a agendar o Alinhamento Sistêmico.

Uma conversa racional, baseada nas leis sistêmicas, para estar cada vez mais no seu lugar de uma forma leve.

 

Tire suas dúvidas ou agende seu atendimento aqui.

 

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Com carinho,

Luciana Nunes

 

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